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CINEFILIA CRÔNICA - Comentários sobre o filme de invenção - Donny Correia
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A SEGUIR, NOSSAS ATRAÇÕES PRINCIPAIS...
(a título de apresentação)

O primeiro videocassete que chegou em minha casa, em 1988, era fruto de um consórcio. O primeiro filme que vimos em família foi Trocando as bolas. Na videolocadora da Mooca, Rhezus Video, meu pai alugara, além da comédia pastelão com Eddie Murphy,  Dan  Aykroyd  e  Jamie  Lee  Curtis,  o  desenho O Natal de Mickey.
Lembro-me que, por volta de 5 ou 6 anos, ainda não alfabetizado, eu olhava as fotos e charges nos jornais, revistas e enci-clopédias ilustradas, como Nosso Século, e imaginava tais imagens co-mo cenas de filmes. Filmes inventados na minha cabeça. Dava a cada uma delas uma narrativa imaginária, com diálogos, com tudo. Aos 10 ou 11 anos, eu descobri o cinema como forma de impacto. Primeiro, Duro de Matar, Robocop, O Exterminador do Futuro, O grande dragão branco, Um peixe chamado Wanda e os filmes de 007. Aos 12, Hitchcock. Entrei nas locadoras perto de casa, em São Miguel Paulista, e aluguei Sabotador. Depois, Os pássaros, Cortina rasgada, Festim diabólico, Topázio, Marnie... Nenhuma delas ti-nha aqueles Hitchcocks mais ?parrudos?, indispensáveis. Então, com os classificados Primeira Mão sempre por perto, passei a adquirir filmes de locadoras que estavam liquidando seus estoques. Comecei minha própria coleção, entre aquisições bancadas pelos pais e filmes gravados da TV quase que diariamente. Em 2000, quando interrom-pi essa coleção, já eram mais de 500 fitas VHS com quase dois mil filmes, séries e documentários. Lá, estiveram não só os trabalhos do velho mestre do suspense, mas de outros vetores da tal sétima arte, que se acumulavam no meu parco repertório, fruto das leituras das revistas Set e Videonews, e de alguns livros que garimpava aqui e ali. Aos 13anos, descobri a vida e obra de Anselmo Duarte e sua Palma de Ouro, por conta de uma reportagem de Luiz Antonio Giron, para a Folha. A desenvoltura de meu pai sempre me impressionou. Ele telefonou à redação do jornal, chegou até o jornalista e conseguiu o número de telefone de Anselmo. Visitei o diretor de O pagador de promessas várias vezes... Que grande pessoa e artista! Lá pelo ano de 1994, tive meu primeiro choque estético real quando assisti ao Deus e o diabo na terra do sol, na filmoteca do colégio onde eu cursava a oitava série. Para acabar de estragar um garoto esquisito, espinhento e curioso, no ano seguinte, descobri o maravilhoso mundo da finada locadora 2001 Vídeo. O resto é história.
O importante é que, ao longo de todos esses anos, às vezes mais, às vezes menos, sempre estive envolvido com cinema. Depois de solidificar minha carreira profissional no meio artístico e encarar mestrado e doutorado, concluo que a cinefilia não é nada, senão um percurso pessoal que cada indivíduo atraído pelo filme traça por si só, tendo à disposição um sem-número de possibilidades.
Portanto, os textos aqui reunidos não obedecem um critério específico de seleção. São apreciações que fiz em torno de algumas das minhas preferências fílmicas em artigos, crônicas, ensaios e resenhas, publicados em diversos periódicos dentro e fora do meio acadêmico, ao longo dos últimos 7 ou 8 anos. Vários deles foram ajustados, corrigidos e rebatizados para esta edição.
A primeira parte deste livro oferece um panorama geral sobre o nascimento da linguagem cinematográfica em toda sua complexidade num tempo em que não havia, ainda, uma clara distinção entre Arte e entretenimento no cinema. Era uma época em que o filme, marginal, relegado ao divertimento raso de proletários, desvalidos, prostitutas e imigrantes ilegais, ensaiava os primeiros passos rumo a uma possível maturidade estética. Reuni diversos artigos e ensaios publicados em periódicos, em sua maioria n?O Estado de S. Paulo, em versões distintas.
Na segunda parte deste volume, procurei agrupar artigos mais aprofundados a respeito de questões estéticas e filosóficas que regem a tensão entre a indústria cultural, o filme de arte, a fenomenologia da percepção, o simbolismo e a psicologia do cinema. Em parte, são frutos colhidos a partir de meu percurso que compreende os anos em que cursei mestrado e doutorado no Departamento Interunidades de Estética e História da Arte, na USP. De caráter interdisciplinar, esse departamento me permitiu abordar o Cinema no contexto da História da Arte.
Finalmente, meu ?Paideuma do cinema brasileiro? é apenas um rascunho de algo no qual venho trabalhando. Aqui, como o título do capítulo reforça, trata-se apenas de um ?rascunho?, que meu editor insistiu para que constasse do volume, porque muitos exemplos de clássicos perdidos e apontamentos para novas vozes, ou melhor, novas lentes, ainda serão acrescentados, até que este paideuma esteja pronto para figurar por si só, mas já sinalizam uma nova senda.
Acima de tudo, meu desejo é que o leitor se divirta, que possa refletir ao observar minúcias na arte cinematográfica e sentir-se acrescido de ? um mínimo que seja ? novo conhecimento. Aí, esta reunião de textos soltos terá cumprido sua proposta.
Do leigo hesitante ao cinéfilo portentoso, desejo ? imitando o crítico Luciano Ramos, importante elemento em minha formação, na época do Cinebrasil, programa dominical vespertino da TV Cultura por tantas décadas ? um bom divertimento!

Donny Correia

 


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