Desconcertos Editora

como estiletes para riscar brumas

Claudinei Urso Vieira

Capa Dura

formato

16×23 cm

páginas 92

ISBN 978-85-53051-32-8

R$ 60,00

Categoria:

Descrição

não é exatamente um retumbe

é o som que atravessa a parede

é a o palpitar das sacadas e das ruas

é o estremecer da cidade e do concreto

vermelho que escorre do meio das pernas

da menina sentada na calçada

enquanto chora uma certa desesperança

Sit there, count your fingers.

What else, what else is there to do?

não é exatamente um retumbe

é a sensação que apresenta os anjos decaídos

bêbados desconsolados batendo palmas

a girar a cidade enquanto vomitam

jorros de ambrosias douradas mal digeridas

e, mesmo assim, cantam sua certa desesperança

ainda que o mundo não os ouça

(mas os anjos não se importam…)

It´s gonna feel just like those raindrops do

When they´re falling down, honey, all around you

não é um baque, um retumbe, não mesmo

é somente a música que sobe a cidade

como nuvem noturna e cujas gotas dançam

e se misturam às gotas do vermelho

das pernas da menina e dos anjos

sem vergonhas atropelados pelo destino

anjos, demônios and a little girl blue pela cidade

I don´t know what else, what else

Honey, have you got to do

os demônios urram suas maldições

pelas ruas molhadas de cerveja e sangue

da cidade assustada, mas deve-se dizer:

não são eles a tocar os tambores,

não são eles a tocar o terror e amedrontar

criancinhas incautas

não são os demônios o terror.

tenha pena da menina a chorar

sua líquida dor avermelhada

sob a chuva anavalhada;

tenha medo dos anjos desabridos

desinibidos a concertar paraísos envergonhados,

toquemos com os demônios,

toquemos com os diabos

de uma cidade assustada,

rezemos para que não sejamos nós os demônios,

ou, pior, os anjos,

ou, pior, a chuva

and count your fingers

Claudinei Vieira, sem medo de incorrer em erro, é um dos grandes poetas contemporâneos. Desde YURÊI, CABERÊ, seu primeiro livro de poemas, destaca-se pelo olhar aguçado e atento para o homem submerso sob os escombros da metrópole, faz uso do ritmo rápido, entrecortado e a linguagem, contundente e fragmentária. Os poemas mostram a relação desse homem com o espírito tirano da urbe que, por inúmeras vezes, nos põe de joelhos perante situações desumanas e, também por sua recorrência se tornam comuns. – Fabiano Garcez

Eu já sabia do seu jeito: poeta do desconcerto, voyer do desencanto, stalker da indignação. Em pessoa, doce e gentil. Agora, é o poeta quem revela sua melhor face: guia experimentado por escombros da guerra urbana. São Paulo é uma perversão em contos de fada, matéria prima para a poesia de Claudinei Vieira. Por um percurso de esquinas e cafés, calçadas e bares, a poesia é a ansiedade e angústia do conformismo: uma certa desesperança, a sentença irrecorrível de que, se não há morte, não é poesia. – Adriana Anelli

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